Arquivo do mês: abril 2008

Abuso do juizado de menores em Belém

Vi no blog do Pedrox e merece ser redivulgado:

Segundo está instituído em nossas leis, configuram-se situações de risco pessoal/social na infância e adolescência, casos de:

a)abandono e negligência;

b)abuso e maus-tratos na família e nas instituições;

c)exploração e abuso sexual;

d)trabalho abusivo e explorador;

e)tráfico de crianças e adolescentes;

f)uso e tráfico de drogas ;

g)conflito com a lei, em razão de cometimento de ato infracional.

A criança em questão estava em “situação de risco”? Posicionem-se.

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Artigo: Tecnologias da pobreza

Abaixo, artigo do professor da Unama, Manuel Dutra. Um relato triste e verdadeiro sobre nossa realidade educacional.

Tecnologias da pobreza e o micróbio invisível®

Manuel Dutra

Às 6h10m da manhã de um dia da semana passada, na esquina da Pedro Álvares Cabral com a Dr. Freitas, em Belém, um homem sem camisa cumpria o seu trabalho: empurrava uma carroça com quatro quartos de boi sobre o assoalho. Enveredou por um beco em direção certamente a uma feira.

O trabalhador, sua carroça primitiva e a carne mal coberta com pedaços de papelão, formavam um conjunto cuja aparência nos pode levar a sentidos mais profundos.

Primeiro: no século 21, na capital paraense, emparelham-se nas ruas veículos os mais modernos e aqueles cuja força de tração ainda é a musculatura humana. Lembra o que disse aqui em 1999 uma cientista social norte-americana: “as tecnologias da pobreza em Belém ainda são mais rudes do que aquelas que observei em Salvador”, na Bahia.

Segundo: se subsistem hábitos nada higiênicos assim tão públicos, nas ruas e feiras “populares”, será que a comida que compramos naqueles outros ambientes, refrigerados, tem origem diferente? (Pelo menos em alguns supermercados já notei ausência de rigor no processo de resfriamento e congelamento sobretudo de aves).

Terceiro: se dessa forma se transporta carne fresca, em que locais são abatidos esses animais e qual o nível de fiscalização da Saúde Pública?

A enumeração pode ir além. No entanto, o preocupante é que aquele trabalhador madrugador não é um ser singular, ele é plural, o que faz tem sentido coletivo, logo … Todos parecemos estar vivendo ainda no período pré-Pasteur, o micróbio não existe porque não o enxergamos a olho nu, mais ou menos como me disse um vendedor de frutas de uma das esquinas da cidade: “não tem problema botar a fruta na calçada, ela tem casca”.

A propósito, as filas mal atendidas nos hospitais públicos seriam mais fruto da pobreza extrema ou da extrema ignorância? Certamente de ambas, porque uma não existe sem a outra. Suponho que aquele trabalhador seja menos pobre do que ignorante. Em que escola lhe ensinaram e demonstraram que há mais de um século um outro homem, chamado Loius Pasteur, contribuiu largamente para com a saúde pública e preventiva, ao relacionar os microrganismos aos processos de fermentação e putrefação, dessa forma dando um golpe fatal nas doenças infecciosas? E que isso tudo está intimamente relacionado com os hábitos de higiene?

Entre nós a ciência ainda parece ser coisa de outro planeta, inclusive em se tratando de conhecimentos tão longamente disseminados. Lembram-se daquela feirante do Ver-o-Peso dos idos de 1992-3, tempos de ameaça de cólera em Belém, que disse na TV que “esse negócio de água fervida ou mineral é coisa de branco metido a coisa”, acrescentando que poderia beber até água de lama que a cólera não a pegaria?

Quando prefeitos, governadores e ministros falam em melhorias da educação logo acrescentam o número de novas salas de aula e terminais de computadores. E em que sala ou em que chip estarão as lições hoje tão simples de Pasteur e de tantos outros? Se estarão, como estarão na cabeça dos professores, que professores?

É senso comum, mas repitamos: sem uma revolução na educação (que não é a mesma coisa que “ensino” ou treinamento), nosso futuro é esse triste presente. O curioso é que pode ser diferente.

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